A 6º Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, nesta terça-feira, 20 de fevereiro, conceder liberdade aos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos do grupo J&F, presos desde setembro de 2017, por determinação da Justiça Federal em São Paulo.

Apesar da decisão, somente Wesley pode ser solto. Joesley deve continuar preso por conta de um outro mandado de prisão, expedido no ano passado pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os irmãos são acusados de crime de insider trading (informação privilegiada), sob suspeita de usarem informações obtidas por meio de seus acordos de delação premiada, para vender e compras ações da JBS no mercado financeiro.

No caso que tramita no STF, a prisão por tempo indeterminado dos acusados foi requerida pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, após a anulação da imunidade penal que foi concedida por ele a Joesley e Ricardo Saud, ex-diretor do J&F. O procurador concluiu que eles omitiram informações à Procuradoria-Geral da República durante o processo de assinatura do acordo de delação premiada.

A defesa dos irmãos Batista alega que a JBS não obteve vantagens com a compra de dólares e venda de ações da companhia às vésperas da delação premiada de Joesley. Segundo os defensores dos irmãos Batista, a empresa manteve o padrão histórico nas operações do período.

Ao atender o pedido de habeas corpus, o STJ decidiu converter a prisão preventiva na adoção de medidas cautelares, como comparecimento à Justiça quando se fizer necessário, proibição de sair do país e de participar de operações no mercado financeiro, além de monitoramento por tornozeleira eletrônica.