Os investigadores que estão trabalhando no inquérito dos portos, este que tem entre os seus alvos o presidente Michel Temer, miram agora uma nova linha de investigação. De acordo com informações prestadas por um advogado em uma delação premiada, o seu escritório teria sido um centro de lavagem de dinheiro para Milton Lyra, apontado como operador do MDB. As operações eram para Lyra “gerar caixa” e, por isso, “o dinheiro entrava na conta do escritório”, de acordo com Flávio Calazans. Ainda de acordo com a delração, o dinheiro foi repassado pela empresa Pérola, do Grupo Rodrimar, empresa do setor de portos que é alvo do inquérito.

A Polícia Federal suspeita que o decreto assinado por Temer em 2017 beneficiou a empresa. Esse repasse da Pérola, segundo a delação premiada, entrou na conta do escritório de Calazans entre 18 de junho de 2014 e 20 de março de 2015, em dez transferências mensais, no valor de R$ 37.500,00 cada uma.

As informações constam no acordo de colaboração de Calazans, que foi adicionado no inquérito dos Portos. O depoimento do advogado foi incluído a pedido do Ministério Público Federal. A Polícia Federal já enviou as informações para análise.

No acordo, Calazans diz que “existia uma conta-corrente de operações entre ele e Victor Colavitti e Rodrigo Britto, sendo que o dinheiro que entrava na conta do escritório saía, imediatamente, ou alguns dias após, para constas indicadas por Rodrigo e Victor”.

“Afirma que 90% das operações realizadas por Victor e Rodrigo eram operações para Milton Lyra, sendo que precisavam ‘gerar caixa’ e, por isso, o dinheiro entrava na conta do escritório e 97% a 95% era devolvido às contas por eles indicadas”.

Lyra já é citado em delações premiadas devido à relação com políticos. Em abril, ele teve a prisão decretada na Operação Rizoma, que investiga prejuízos no Postalis, fundo de pensão dos funcionários nos Correios. Ele é suspeito de envolvimento no esquema que desviou recursos do fundo. Em maio, o ministro Gilmar Mendes, do STF, mandou soltar Lyra.

Sobre o repasse do Grupo Pérola, o delator disse que existia um grupo de empresas do setor marítimo e de porto, com relação às quais Rodrigo Brito solicitou a ele que fossem realizadas operações financeiras. E que “se reuniu com Rodrigo Brito, no escritório, dele, na Avenida Faria Lima,em meados de 2014, quando foram acertadas as operações”, além de ele ter elaborado minutas de contratos com as empresas em questão, “os quais eram fictícios, mas serviriam para dar suporte aos recebimentos”. Calazans informou também que chegou a se encontrar com Ricardo Mesquita, executivo da Rodrimar, no escritório de Rodrigo Brito, mas disse que ele não participou de reunião sobre operações.

O nome da Rodrimar surgiu no meio das investigações feitas a partir da delação da JBS. A empresa é especializada em comércio exterior, atua no setor de portos, com base em Santos. Ricardo Mesquita, então executivo da empresa, apareceu no café onde o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, do MDB, que ficou conhecido como “homem da mala da JBS”, se reuniu com o executivo da J&F, Ricardo Saud.