Nesta sexta-feira, 1º de setembro, o Ministério Público Federal (MPF) pediu a absolvição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) da acusação de ter comprado o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. No entanto, o pedido ainda está sendo analisado pelo juiz do caso.

O procurador Ivan Cláudio Marx afirma não haver provas da participação de Lula no esquema criminoso e acrescenta que Delcídio do Amaral, ex-senador do Mato Grosso do Sul, agia em interesse próprio. De acordo com ele “Cerveró estava sonegando informações no que se refere a Delcídio, e não sobre Lula, a quem inclusive imputava fatos falsos, no intuito de proteger Delcídio.”

Segundo o procurador, Delcídio atribuiu, falsamente, a Lula a ordem para a prática do crime. Sobre o alegado envolvimento do ex-presidente, existe apenas uma única prova que seria o depoimento do próprio Delcídio sobre um encontro com Lula, no qual, de acordo com o ex-senador, Lula manifestou preocupação de que José Carlos Bumlai pudesse ser preso por conta da delação de Cerveró.

Delcídio afirmou, neste depoimento, que Lula, ao mencionar tal preocupação, foi informado, pelo ex-senador, que a família de Cerveró passaria por dificuldades financeiras e sugeriu a possibilidade de ajudá-los com dinheiro, ao que Lula teria respondido “veja o que você pode fazer”.

O procurador Ivan Marx afirma, de acordo com o próprio Delcídio, que esta conversa com Lula seria o único envolvimento do ex-presidente no esquema e que ninguém mais testemunhou esse momento e que, portanto, não existe nenhuma forma de provar que Lula realmente disse aquelas palavras, por falta de testemunhas.

Ainda de acordo com o procurador, o principal objetivo de Delcídio era evitar que Cerveró falasse que o ex-senador recebeu R$ 4 milhões da construtora UTC como propina e que esse dinheiro foi usado em caixa dois em sua campanha no governo do Mato Grosso do Sul. Sendo assim, cabe analisar as provas existentes, e descobrir a quem interessava o silêncio de Cerveró e quem estava sendo protegido por ele durante o tempo em que os pagamentos foram feitos.